Teologia da História
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Igualitarismo - IV
Em uma era materialista, a alma
é subestimada
Hoje, continuamos a demonstrar como a tendência geral dos nossos dias é nivelar tudo – em todos os campos e aspectos da vida. (Nota: O Prof. Plinio ministrou esta série de aulas em 1957; depois de anos, vemos como o igualitarismo em cada um dos campos que ele aponta aumentou e passou a dominar quase completamente).
Destacando as diferenças entre as almas
Antigamente, as pessoas gostavam de realçar as diferenças entre as almas; escolhiam pessoas com características morais e intelectuais muito diferentes e traçavam paralelos entre elas. Lembro-me das minhas redações de infância para determinar quem era o maior – o poeta Camões ou o mestre da prosa Vieira.
Analisar as diferenças entre grandes homens como Vieira e Camões costumava ser um exercício mental popular.
Havia certo prazer em comparar os dois gênios, enumerando suas qualidades excepcionais e traçando paralelos para estabelecer qual deles era o maior. Esse exercício, por um tempo, tornou-se uma verdadeira mania – a tal ponto que a Igreja teve de proibir que tais paralelos fossem feitos entre os santos.
É interessante observar essa inclinação do espírito que se deleitava em buscar diferenças e fazer comparações. Se há algo para o qual o espírito moderno não se inclina, é precisamente isso: comparar. Pois comparar é uma função que pressupõe a existência de diferenças. Comparar para julgar é algo pouco adequado à mente moderna.
Um tema delicioso na literatura costumava ser o de fazer comparações, como analisar as diferenças entre Turenne e Condé: Condé, o general veloz como um raio, que não faz planos, mas observa o campo de batalha, ataca e destrói. Turenne, o grande enxadrista, que elabora um plano e conquista uma cidade. Ou Aristóteles e Platão, Rafael e Michelangelo, etc., etc. Esses são temas fascinantes, nos quais as pessoas se deleitavam em louvar as almas, analisá-las e celebrar sua grandeza e excepcionalidade.
Numa era de materialismo, a alma é subestimada
Nesta época de materialismo, a alma, que é superior ao corpo, é subestimada. Tudo o que diz respeito à alma é tratado apenas pela psiquiatria: ou seja, só consideramos a mente quando ela está doente, e então deixamos que os psiquiatras lidem com ela. Mesmo a mente sã é presumida doente quando analisada sob essas lentes.
A valorização do fator espiritual é reduzida ao mínimo, nivelando-o à matéria. Esse nivelamento ocorre também entre as almas: as belezas excepcionais que existem em cada uma deixam de ser notadas.
Diferenças de sexo e idade são deixadas de lado
Outra coisa que está sendo deixada de lado são certas desigualdades que existem na natureza, como entre os sexos. São Tomás de Aquino demonstra muito bem que essas desigualdades teriam que existir até mesmo no Paraíso antes do pecado original. Para que a espécie se perpetue, deve haver desigualdade entre os sexos.
Há também a diferença de idade. São Tomás analisa o assunto e conclui que isso se daria pelo fato de que, uma vez que alguns nascem de outros, teriam que ser mais jovens. Pai e filho, com suas próprias desigualdades, também existiriam no Paraíso.
Hoje, tudo caminha para a desconsideração dessas diferenças entre nós. Não se pode negar que existem desigualdades entre os sexos, mas tudo tende a igualá-los. Não se pode negar que existe desigualdade de idade, mas tudo tenta apresentar essa desigualdade sem consequências, sem sublinhar qualquer desigualdade entre os homens.
É evidente que existe desigualdade entre pai e filho. Mas as distinções e desigualdades que existem nessas relações são justamente o que está sendo descartado. Pelo contrário, tudo é igual, igual, igual. A mulher é igual ao homem, o filho ao pai, o jovem ao idoso. Como vemos, tudo tende a subestimar o que é superior nessas relações.
O corpo é superestimado, a inteligência subvalorizada
Outro ponto interessante para a discussão é o fato de que, hoje em dia, os atributos físicos são cada vez mais superestimados: esportes, saúde e alimentação recebem constante ênfase. Há pouco apreço pela inteligência e muito pelas capacidades físicas ou habilidades psicofísicas.
Não chegamos ao ponto de apresentar um menino, por exemplo, apenas como muito bonito, musculoso etc.; ele é reconhecido por sua amabilidade: o menino ou menina "bonzinho." No entanto, ele não é mais elogiado por sua inteligência, embora ser simpático envolva certos atributos mentais.
Hoje, as partes nobres estão sendo banalizadas. Por exemplo, a ideia de que a cabeça é mais nobre que os pés já está desaparecendo. Houve tempo em que falar sobre os pés era quase um absurdo. Hoje, o pé está em pé de igualdade com a cabeça, o que não significa que a cabeça se tornou completamente igual ao pé.
Antigamente, a pessoa corava, hoje fica vermelha
No passado, a pessoa tinha bochechas, hoje só existe o rosto. Dizia-se: "Suas bochechas coraram." Hoje se diz: "Seu rosto ficou vermelho." Dizer que "suas bochechas coraram" refere-se a um fenômeno mental que tem uma consequência física. Dizer que "seu rosto ficou vermelho" é um fato físico que também poderia ocorrer na mão. É uma simples reação física.
Na antiguidade, certas partes do corpo humano eram consideradas de maneiras específicas, como a testa. Uma testa curta era associada a um espírito baixo ou mesquinho. Quando Giotto pintou Judas, deu-lhe uma testa curta. Uma testa larga e alta indicava vastos horizontes.
Hoje em dia, não se fala mais nisso. A testa é simplesmente uma parte do crânio, um osso identificado nas aulas de anatomia. Perdeu todos os seus aspectos morais, simbólicos e espirituais. É apenas um elemento na cobertura que protege o cérebro, uma das partes mais importantes do sistema nervoso.
Desprezo pelo trabalho intelectual
O desprezo pelo trabalho intelectual é algo prodigioso. Vou dar um exemplo. Há algum tempo, discutiu-se o aumento dos salários dos professores da Universidade de São Bento. Então, alguém da reitoria disse que não valia a pena.
Outra pessoa argumentou: “Mas veja quanto mais ganham os professores de engenharia industrial.”
Ele respondeu: “O trabalho é assim mesmo – paga-se mais quando há poucos profissionais e alta demanda. Com muitos profissionais e baixa demanda, paga-se menos. Qualquer professor que se candidatar aqui conseguirá uma vaga na Faculdade de Filosofia. No entanto, uma vaga na Faculdade de Engenharia Industrial é difícil de conseguir. Portanto, é preciso pagar mais caro.”
Observe o desprezo pelo trabalho intelectual e a valorização do trabalho técnico.
O salário dos professores é menor que o do coveiro
Em um município do interior de São Paulo, foi publicada a lista de salários de seus funcionários. A pessoa com o salário mais baixo era o professor. Logo acima dele na lista estava o coveiro.
Isso expressa uma ordem de coisas muito característica: o zelo das leis trabalhistas do governo se volta para a proteção do trabalhador manual. O trabalhador intelectual, considerado como não necessitando de qualquer proteção real, raramente se beneficia de aumentos salariais e está sendo esmagado pela ascensão de uma burguesia menos intelectual e um proletariado semibárbaro.
Enquanto conversava com uma senhora sobre outra pessoa, ela fez uma afirmação que considerei muito precisa: “O Sr. X brilhou nos tempos em que a inteligência era prestigiosa.”
Admiração pelos mecânicos
A admiração do público em geral se dirige às profissões de caráter inferior, e na ordem hierárquica de valores, as profissões de caráter superior são subestimadas.
Por exemplo, na ordem das possibilidades, a profissão mais elevada seria a de professor de teologia, e a profissão menos intelectual e inferior seria a de mecânico. Qual das duas recebe mais compreensão e simpatia do público hoje em dia?
Continua
Destacando as diferenças entre as almas
Antigamente, as pessoas gostavam de realçar as diferenças entre as almas; escolhiam pessoas com características morais e intelectuais muito diferentes e traçavam paralelos entre elas. Lembro-me das minhas redações de infância para determinar quem era o maior – o poeta Camões ou o mestre da prosa Vieira.
Analisar as diferenças entre grandes homens como Vieira e Camões costumava ser um exercício mental popular
É interessante observar essa inclinação do espírito que se deleitava em buscar diferenças e fazer comparações. Se há algo para o qual o espírito moderno não se inclina, é precisamente isso: comparar. Pois comparar é uma função que pressupõe a existência de diferenças. Comparar para julgar é algo pouco adequado à mente moderna.
Um tema delicioso na literatura costumava ser o de fazer comparações, como analisar as diferenças entre Turenne e Condé: Condé, o general veloz como um raio, que não faz planos, mas observa o campo de batalha, ataca e destrói. Turenne, o grande enxadrista, que elabora um plano e conquista uma cidade. Ou Aristóteles e Platão, Rafael e Michelangelo, etc., etc. Esses são temas fascinantes, nos quais as pessoas se deleitavam em louvar as almas, analisá-las e celebrar sua grandeza e excepcionalidade.
Numa era de materialismo, a alma é subestimada
Nesta época de materialismo, a alma, que é superior ao corpo, é subestimada. Tudo o que diz respeito à alma é tratado apenas pela psiquiatria: ou seja, só consideramos a mente quando ela está doente, e então deixamos que os psiquiatras lidem com ela. Mesmo a mente sã é presumida doente quando analisada sob essas lentes.
A valorização do fator espiritual é reduzida ao mínimo, nivelando-o à matéria. Esse nivelamento ocorre também entre as almas: as belezas excepcionais que existem em cada uma deixam de ser notadas.
Diferenças de sexo e idade são deixadas de lado
Outra coisa que está sendo deixada de lado são certas desigualdades que existem na natureza, como entre os sexos. São Tomás de Aquino demonstra muito bem que essas desigualdades teriam que existir até mesmo no Paraíso antes do pecado original. Para que a espécie se perpetue, deve haver desigualdade entre os sexos.
Um filho aprende respeitosamente com seu pai e imita seu modo digno de ser
Hoje, tudo caminha para a desconsideração dessas diferenças entre nós. Não se pode negar que existem desigualdades entre os sexos, mas tudo tende a igualá-los. Não se pode negar que existe desigualdade de idade, mas tudo tenta apresentar essa desigualdade sem consequências, sem sublinhar qualquer desigualdade entre os homens.
É evidente que existe desigualdade entre pai e filho. Mas as distinções e desigualdades que existem nessas relações são justamente o que está sendo descartado. Pelo contrário, tudo é igual, igual, igual. A mulher é igual ao homem, o filho ao pai, o jovem ao idoso. Como vemos, tudo tende a subestimar o que é superior nessas relações.
O corpo é superestimado, a inteligência subvalorizada
O intelectual passou a ser apresentado
como desajeitado ou deslocado
Não chegamos ao ponto de apresentar um menino, por exemplo, apenas como muito bonito, musculoso etc.; ele é reconhecido por sua amabilidade: o menino ou menina "bonzinho." No entanto, ele não é mais elogiado por sua inteligência, embora ser simpático envolva certos atributos mentais.
Hoje, as partes nobres estão sendo banalizadas. Por exemplo, a ideia de que a cabeça é mais nobre que os pés já está desaparecendo. Houve tempo em que falar sobre os pés era quase um absurdo. Hoje, o pé está em pé de igualdade com a cabeça, o que não significa que a cabeça se tornou completamente igual ao pé.
Antigamente, a pessoa corava, hoje fica vermelha
No passado, a pessoa tinha bochechas, hoje só existe o rosto. Dizia-se: "Suas bochechas coraram." Hoje se diz: "Seu rosto ficou vermelho." Dizer que "suas bochechas coraram" refere-se a um fenômeno mental que tem uma consequência física. Dizer que "seu rosto ficou vermelho" é um fato físico que também poderia ocorrer na mão. É uma simples reação física.
Giotto pintou Judas com a testa baixa, um sinal de seu caráter
Hoje em dia, não se fala mais nisso. A testa é simplesmente uma parte do crânio, um osso identificado nas aulas de anatomia. Perdeu todos os seus aspectos morais, simbólicos e espirituais. É apenas um elemento na cobertura que protege o cérebro, uma das partes mais importantes do sistema nervoso.
Desprezo pelo trabalho intelectual
O desprezo pelo trabalho intelectual é algo prodigioso. Vou dar um exemplo. Há algum tempo, discutiu-se o aumento dos salários dos professores da Universidade de São Bento. Então, alguém da reitoria disse que não valia a pena.
O trabalho do professor é subvalorizado;
muitos dos melhores abandonam a profissão em busca de empregos com salários mais altos
Ele respondeu: “O trabalho é assim mesmo – paga-se mais quando há poucos profissionais e alta demanda. Com muitos profissionais e baixa demanda, paga-se menos. Qualquer professor que se candidatar aqui conseguirá uma vaga na Faculdade de Filosofia. No entanto, uma vaga na Faculdade de Engenharia Industrial é difícil de conseguir. Portanto, é preciso pagar mais caro.”
Observe o desprezo pelo trabalho intelectual e a valorização do trabalho técnico.
O salário dos professores é menor que o do coveiro
Em um município do interior de São Paulo, foi publicada a lista de salários de seus funcionários. A pessoa com o salário mais baixo era o professor. Logo acima dele na lista estava o coveiro.
Até o coveiro recebe mais do que o professor
Enquanto conversava com uma senhora sobre outra pessoa, ela fez uma afirmação que considerei muito precisa: “O Sr. X brilhou nos tempos em que a inteligência era prestigiosa.”
Admiração pelos mecânicos
A admiração do público em geral se dirige às profissões de caráter inferior, e na ordem hierárquica de valores, as profissões de caráter superior são subestimadas.
Por exemplo, na ordem das possibilidades, a profissão mais elevada seria a de professor de teologia, e a profissão menos intelectual e inferior seria a de mecânico. Qual das duas recebe mais compreensão e simpatia do público hoje em dia?
Continua
Postado em 12 de janeiro de 2026
______________________
______________________










