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Teologia da História
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Igualitarismo - V

Um impulso igualitário em todas as áreas da vida

Prof. Plinio Corrêa de Oliveira
Nota: O Prof. Plinio ministrou esta série de aulas em 1957; hoje, em 2026, vemos como o igualitarismo em cada uma das áreas que ele destaca aumentou e passou a dominar quase completamente. TIA.
Comandar e obedecer

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Até mesmo um policial de trânsito do passado tinha um ar de comando

É preciso observar como pensam os homens igualitários de hoje. Eles não acreditam que deva haver pessoas que comandam e pessoas que obedecem. Sabem que tais grupos precisam existir, mas não aceitam toda a doutrina clássica que defende a necessidade de haver pessoas que comandam.

A situação é diferente: para eles, comandar não é mais honroso do que obedecer. É uma função totalmente igual na hierarquia de valores. Comandar e obedecer acabam sendo exatamente a mesma coisa. Um nivelamento completo.

Contudo, ainda hoje, quando alguém exerce autoridade, por menor que seja, entendemos que isso lhe confere certa superioridade, mesmo, por exemplo, a autoridade de um guarda civil.

Almirante Lafond

Na França, conheci um Almirante, mas ele não usava esse título. Seu nome era Almirante Lafond. Ele tinha o título de Almirante porque era um dos engenheiros mais graduados na área de construção naval e assuntos portuários da Marinha Francesa.

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Ter o título de Almirante significava comandar em batalha

Um dia, perguntei-lhe se era Almirante. Ele me disse que na Marinha Francesa ostentava a patente de Almirante, mas que eu deveria entender que, por mais importante que fosse seu serviço, ele não envolvia risco de vida.

Portanto, não lhe parecia natural usar esse título militar. Trata-se de um conceito elevado. Ele me explicou que era costume francês não usar o título para tais cargos, em reconhecimento ao fato de que a glória militar plena pertence exclusivamente àqueles que arriscam a vida.

A questão é coerente, séria, correta, implicando uma hierarquia de valores. O risco de vida é central na vida militar, e não podemos transformar o exército ou a marinha em um departamento de coisas iguais.

Então, por exemplo, digamos que esta pessoa seja um superintendente, aquela preste outro serviço, e outra ainda ofereça a vida em combate, como se morrer fosse apenas mais uma mera função: não se pode ver as coisas dessa maneira. É uma nivelação deformadora e igualitária.

No Brasil, como em todos os países do mundo, os intendentes-gerais ascenderão ao posto de general. E com que euforia! E o sistema segue em frente. O oficial militar de alta patente que não expõe a própria vida é oficialmente considerado no mesmo nível daquele que assume esse risco. Percebe-se que as coisas foram longe demais. Há uma perda da noção de elevação natural das coisas.

Observe que estou me colocando intencionalmente fora do problema da classe social, que será tratado mais adiante. O que quero mostrar é que, na ordem comum de valores, está ocorrendo um nivelamento igualitário generalizado.

Outras diferenças que estão desaparecendo

Outro aspecto nessa linha é a tendência de subestimar a diferença entre o padre e o leigo. Essa tendência vem de baixo para cima e também de cima para baixo. Há também a curiosa tendência dos militares de não usarem uniforme. Com exceção do capelão, nenhum militar usa uniforme. Estamos testemunhando o desaparecimento de tudo que possa representar uma distinção, a característica que marca a diferença, mostrando que alguém não é como os outros.

Espiões substituem embaixadores

Consideremos as embaixadas. No topo da hierarquia da embaixada está o Embaixador, figura proeminente no salão diplomático, capaz de transitar com desenvoltura entre os demais, mantendo-se ao mesmo tempo sério e autêntico. É ele quem reside na embaixada, etc. Em seguida, temos a equipe da embaixada, e entre eles, os espiões do departamento de espionagem. Vejamos agora como o público considera o departamento de espionagem como o braço direito da embaixada.

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O 'Museu Internacional da Espionagem' em Washington D.C. reflete a mania do público pela espionagem

Suponhamos que vejamos, na vitrine de uma livraria, estes dois títulos lado a lado: “Memórias de um Embaixador na Corte de Saint-James” e “Memórias de um Espião no Submundo da Política Inglesa.” Naturalmente, a história de espionagem será mais procurada. O embaixador é visto como uma espécie de enfeite de bolo de casamento. Temos o bolo, depois, em cima, um pequeno castelo, acima deste, os recém-casados e, acima deles, a pomba. O embaixador é a pomba.

Ele não é, de forma alguma, o braço direito da embaixada. O braço forte é o espião e o adido comercial, e, em certa medida, o adido militar, quando este está envolvido em alguma operação de espionagem ou dirigindo uma. Outro ponto é a diminuição das diferenças que existiam entre cidades mais ou menos ilustres.

Diferenças entre cidades ilustres estão diminuindo

Outro aspecto são as diferenças que existiam entre cidades mais ou menos ilustres. No passado, havia cidades que eram ilustres e consideradas belas por algum fato em sua história ou passado. Por exemplo, Itu (no estado de São Paulo) era a “Cidade Mais Fiel,” título concedido em 1822 pelo Imperador Dom Pedro I. Isso não impediu que a primeira Convenção da República fosse realizada lá, mas a cidade era considerada a “Cidade Levítica” por ter fornecido o maior número de sacerdotes.

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A antiga cidade de Itu, no Brasil, teve a honra de ser conhecida como a 'Cidade Mais Fiel'

Franca tinha o título de “Vila do Imperador,” em homenagem ao Imperador Pedro I do Brasil. Hoje, é reconhecida apenas como a “Capital Nacional do Calçado” e a “Capital Nacional do Basquete.” Piracicaba era “A Noiva do Morro,” Guaratinguetá a “Princesa do Oriente,” Recife a “Veneza Brasileira.” Os termos expressavam um certo aspecto do lugar em um plano espiritual e buscavam, na esfera dos valores espirituais, diferenciar uma cidade da outra. Mas isso ficou para trás.

Por exemplo, hoje, o que desperta mais interesse em Sorocaba? Quem em Sorocaba se importa com seu lado histórico? Existem duas Sorocabas: uma Sorocaba antiga, composta por pessoas idosas e decadentes que ainda dedicam alguma atenção à história da cidade; ao lado desta, existe a Sorocaba industrial, a única que recebe importância.

Sorocaba não é mais a cidade que resistiu ao Duque de Caxias, mas sim a Sorocaba que ficou famosa pela produção de banha de porco ou porque o dono de uma grande empresa brasileira nasceu lá. Fotografias da primeira lata de processamento e do primeiro porco são exibidas e apresentadas com orgulho.

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A cidade de Ávila, onde ocorreram feitos gloriosos no passado

Outro exemplo seria a cidade de Ávila de Santa Teresa de Jesus. Em Ávila, conta-se a história de como os mouros sitiaram a cidade e foram bravamente resistidos pelas mulheres, que lá estavam sozinhas. Por esse motivo, as mulheres tinham uma representação especial no Senado da cidade, a câmara alta daquele município, bem como um título e um dia próprios, “Ávila das Damas da Rainha,” ou algo parecido.

Quando eu era menino, ouvi dizer que algo semelhante havia acontecido em Goiana, cidade de onde minha família é originária, no estado de Pernambuco. Os homens estavam ausentes quando os holandeses chegaram para atacar a cidade. As mulheres de Goiana resistiram bravamente, e isso foi motivo de orgulho para Goiana. Hoje, Goiana é uma cidade velha, pobre e pequena porque não gera dinheiro. Nada mais importa.

E assim insisto: tudo o que não se reduz à matéria, que é o elemento mais básico da Criação, perdeu seu valor. Tudo se volta para a completa igualdade: as coisas perderam seu valor.

A tendência de nivelamento viola a ordem natural

Outro ponto que pode ser discutido aqui, nessa linha, é a falta de ênfase nas diferenças entre as famílias. No passado, muito se falava sobre essas diferenciações. Hoje, as famílias têm poucas características distintivas. Tudo deve ser igualado, nivelado.

Gostaria de conhecer outros exemplos melhores do que os que estou apresentando aqui. Mas o que importa é mostrar a situação de um nivelamento total nos mais diversos campos. O mais natural seria que a tendência se manifestasse em alguns campos, mas não em outros. Mas esse igualitarismo uniforme em todos os campos indica uma violência contra a ordem natural e aponta para uma fonte que é a causa, que é precisamente o fato que queremos realçar aqui.

Continua

lonliness of command

O General Lee na expressiva pintura,
‘A Solidão do Comando’


Postado em 19 de janeiro de 2026

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