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NOTÍCIAS: 15 de abril de 2026 (publicada em inglês a 29 de dezembro de 2025)
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Panorama de Notícias
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Atila Sinke Guimarães
FIDELIDADE DE LEÃO XIV: UMA VISÃO GERAL – Considerando que 8 de dezembro de 2025 marcou o 60º aniversário da cerimônia de encerramento do Concílio Vaticano II, o Papa Leão XIV publicou uma Carta Apostólica para celebrar a data. Intitulada Uma Fidelidade que Gera o Futuro, a Carta aborda dois dos decretos finais do Concílio – Optatam Totius [A Renovação desejada] e Presbyterorum Ordinis [A Ordem dos Sacerdotes] – que tratam, respectivamente, da formação de seminaristas e de sacerdotes.

Para analisar a Fidelidade de Leão, destacarei inicialmente os pontos principais de cada um desses documentos conciliares, para que o leitor possa acompanhar minha análise da Carta Apostólica papal:

Optatam Totius
  • A formação dos seminaristas deve ser reformada §§ 17, 22b, e não ser baseada em conceitos §§ 1, 17, 22b;

  • Os seminaristas devem ter a experiência da vida humana § 3; devem estudar filosofias modernas e evolução § 15; não devem ser voltados para honras e poder § 9; seus estudos devem ser laicizados §§ 3, 13;

  • Closing of Vatican II

    Em 8 de dezembro de 1965, Paulo VI encerrou o Concílio Vaticano II

  • Os seminaristas devem estar familiarizados com as falsas religiões e aprender “o que é bom e verdadeiro” nelas §§ 16e, 16f.
Presbyterorum Ordinis
  • Os Sacerdotes são iguais aos leigos §§ 2, 9, 22c; devem abandonar “todas as aparências de vaidade” § 17d; devem ter comunhão de bens §§ 8c, 17c, 21; devem dedicar-se ao trabalho manual § 8; devem entrar em diálogo com o mundo de hoje § 12d.
A interpretação desses dois documentos sob as normas gerais do Vaticano II de adaptação da Igreja ao mundo moderno e abertura às falsas religiões foi a causa da enorme crise tanto nos seminários quanto no clero.

De fato, em termos numéricos, em 1960, antes do início do Concílio, estimava-se que havia 48.000 seminaristas diocesanos somente nos EUA; enquanto o número de padres diocesanos no mundo ultrapassava 400.000. Hoje, o número de seminaristas diocesanos nos EUA é de 3.600, o que representa uma redução de 92,5%; e o número de padres diocesanos no mundo é de 280.000, uma redução de 30%.

É preciso contextualizar esses números: a população católica atendida por esses padres em 1960 era de cerca de 550 milhões, enquanto hoje é de 1,4 bilhão, ou seja, um aumento de 254%.

Teilhard de Chardin and Karl Rahner

Acima, Teilhard de Chardin e Karl Rahner influenciaram os seminários com suas teologias

No que diz respeito à formação doutrinal, vemos que os seminários se transformaram em centros de esquerda para formar assistentes sociais e agentes da Teologia da Libertação. Mesmo quando são “conservadores,” os seminários estão contaminados pelo evolucionismo de Teilhard de Chardin, pelo reducionismo antropológico de Karl Rahner e por uma espiritualidade pentecostal que exalta a alegria e abomina a Cruz.

Quanto à moral, tornaram-se focos de homossexualidade, entre outras depravações.

Quanto à fé, um olhar sobre o conjunto do clero revela que, além da “bagagem” que trouxeram do seminário, muito poucos sacerdotes ainda creem no Pecado Original, na Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia, na Missa como uma renovação incruenta do Sacrifício do Calvário, no Céu, no Inferno e no Purgatório, e em muitos outros dogmas da nossa fé católica. Em outras palavras, eles não professam mais a fé católica.

Em resumo, estes são os frutos do Vaticano II – particularmente desses dois documentos – sobre o conjunto dos seminários diocesanos e do clero.

Foco na Fidelidade

Assim, quando o Papa Leão XIV se propôs a abordar esses dois documentos, qualquer católico sério suporia que seu objetivo era corrigir essas graves falhas e fazer todo o possível para trazer a Barca de Pedro de volta à navegação tranquila nos mares da ortodoxia e da disciplina.

Infelizmente, isso não aconteceu.

Crise da pedofilia

Ao abordar a crise da pedofilia no clero, que foi revelada em 1995 e atingiu proporções apocalípticas após o ano 2000, Leão XIV tem apenas estas tímidas palavras de lamentação:

Nas últimas décadas, a crise de confiança na Igreja, causada pelos abusos cometidos por membros do clero, encheu-nos de vergonha e chamou-nos à humildade. Tornou-nos ainda mais conscientes da necessidade urgente de uma formação integral que assegure o crescimento pessoal e a maturidade dos candidatos ao sacerdócio, juntamente com uma vida espiritual rica e sólida.” (§ 10)

Suas palavras não poderiam ser mais ineficazes e vagas. Se existe uma “necessidade urgente de uma formação abrangente,” por que ele não reconheceu que uma enorme parte desse problema foi causada pelo abandono da disciplina católica e do ascetismo tradicional; abandono esse que foi recomendado pelo Concílio sob as diretrizes gerais de “renovação” e “adaptação ao mundo”?

Apostasia generalizada

Quando Leão XIV trata da apostasia generalizada que ocorreu após o Concílio, e que ainda corrói as fileiras do clero, ele usa estas palavras:

“A questão da formação é também central para abordar o fenômeno daqueles que, após alguns anos ou mesmo décadas, abandonam o ministério sacerdotal. Esta dolorosa realidade… exige que olhemos com atenção e compaixão para a história destes irmãos e para as muitas razões que os podem ter levado a tal decisão. A resposta adequada é, antes de mais, um renovado compromisso com a formação, cujo objetivo é ‘um percurso de crescimento na intimidade com o Senhor. Envolve a pessoa por inteiro, coração, mente e liberdade, a fim de a moldar à imagem do Bom Pastor.’” (§ 11)

Mais uma vez, apenas palavras sentimentais sem qualquer solução eficaz para o enorme desastre que enfrentamos. Por que Leão XIV não teve a coragem de dizer que a causa desta apostasia generalizada é a falsa conceção da Igreja e do sacerdócio que foi ensinada nesses documentos conciliares?

De fato, tradicionalmente o sacerdócio era apresentado como um estado de vida que rejeitava o mundo e fazia grandes sacrifícios para alcançar o Céu. Após o Concílio Vaticano II, a vida sacerdotal foi apresentada como um estado de espírito que deveria se adaptar ao mundo e imitá-lo para ser moderno e atrair mais fiéis.

Ora, essa abordagem gerou uma crise de identidade na mente do sacerdote, que poderia ser formulada da seguinte maneira: “Se o ideal da minha vocação é me adaptar ao mundo, por que deveria me separar dele? Não há razão essencial. Portanto, que eu retorne a ele.”

Leo XIV

Papa Prevost revela-se muito mais progressista do que muitos esperavam...

Quando o ideal de imitar Cristo na Cruz e o objetivo de promover um estilo de vida semelhante para os leigos são abandonados pelo clero, este perde sua razão de ser. Daí surge a crise de identidade e a apostasia quase inevitável.

Em vez de corrigir ou mudar esse caminho equivocado, Fidelidade quer continuar na mesma direção:

Nos últimos anos, a Igreja foi conduzida pelo Espírito Santo a desenvolver a doutrina conciliar sobre sua natureza como comunhão, segundo a dimensão sinodal e missionária. É com essa intenção que dirijo esta Carta Apostólica a todo o Povo de Deus, para examinarmos juntos a identidade e a função do ministério ordenado … dando continuidade à grande obra de renovação iniciada pelo Concílio Vaticano II.” (§ 4)

Será que o Papa Prevost publica sua Carta apenas para confirmar os erros do Vaticano II? Não. Ele busca aumentar ainda mais o igualitarismo no sacerdócio. Assim, percebemos que os sacerdotes ainda conservam algum resquício da legítima autoridade que lhes é devida, e Leão XIV deseja eliminar esse vestígio para torná-los mais “sinodais.”

Eis a mensagem central de sua Carta Apostólica:

“Como recorda o já mencionado Documento Final [do 16º Sínodo, publicado em 26 de outubro de 2024], ‘os sacerdotes são chamados a viver seu serviço em espírito de proximidade com o seu povo, a acolher e a estar preparados para ouvir a todos, abrindo-se a um estilo sinodal’ (n. 72). Para implementar uma eclesiologia de comunhão cada vez mais eficaz, o ministério do sacerdote deve ir além do modelo de liderança exclusiva, que leva à centralização das atividades pastorais e à concentração de todas as responsabilidades em suas mãos. Em vez disso, o ministério deve caminhar para uma liderança cada vez mais colegiada, com a cooperação entre sacerdotes, diáconos e todo o Povo de Deus, resultando em um enriquecimento mútuo que é fruto dos diversos carismas concedidos pelo Espírito Santo.” (§ 22)

Assim, o que nos foi dado não é um documento honesto que reconheça a realidade, avalie os erros e os corrija. Temos mais um documento que alimenta o mito de que o Vaticano II não foi uma catástrofe, mas uma grande conquista.

Enquanto os católicos continuarem a ser enganados por esse mito, o Vaticano progressista continuará a alimentá-lo – seja por meio de Papas progressistas ou “conservadores.” Mas creio que os católicos estão cada vez mais fartos dessa grande farsa.

Rezo para que esse processo se acelere.

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