NOTÍCIAS: 2 de março de 2026 (publicada em inglês a 27 de fevereiro de 2026)
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Panorama de Notícias

ESCOLHENDO ENTRE FARISEUS E SADUCEUS –
Alguns amigos pediram minha opinião sobre a atual divergência entre a FSSPX e o Vaticano a respeito das consagrações de cinco bispos que o responsável pela Fraternidade, Pe. Davide Pagliarani, anunciou que ocorreriam em 1º de julho.
Ele se reuniu no Vaticano com o Card. Victor Fernández, que propôs um diálogo sob a condição de que as consagrações fossem adiadas; caso contrário, o Vaticano declararia a FSSPX cismática. Pouco depois, Pe. Pagliarani divulgou uma declaração pública recusando o diálogo, argumentando que o Card. Fernández havia afirmado que o Concílio Vaticano II é um tema intocável. Assim, ele confirmou que as consagrações ainda estavam planejadas para a data anunciada.
Temos aqui a imagem de dois argentinos jogando duro, como os argentinos sabem fazer. Ambas as equipes preparam seus torcedores para o grande jogo que está por vir. As emoções estão à flor da pele e os ânimos estão polarizados. Prelados conservadores – o Arceb. Viganò, os Bispos Schneider e Strickland – entraram em cena torcendo dramaticamente pela FSSPX. Jornais progressistas estão manifestando o seu desagrado com a FSSPX, comparando-a radicalmente à seita dos Velhos Católicos que rejeitou o Concílio Vaticano I e se tornou cismática e herege.
O jogo está sendo apresentado, portanto, como um confronto entre esses dois lados.
Como muitos católicos tradicionalistas estão se posicionando diante desse dilema e sendo arrastados para a adesão à FSSPX e ao cisma, sinto-me na obrigação de dizer algo sobre isso.
Acredito que todo esse cenário está sendo inflado por pessoas mal-intencionadas de ambos os lados. Não se exige uma decisão tão drástica como essa: ou manter a ortodoxia e entrar no cisma, ou aceitar o progressismo e permanecer na Igreja. Abaixo, tentarei mostrar os erros desse falso dilema melodramático.
A FSSPX aceita o Vaticano II
O primeiro grande erro é imaginar que a FSSPX não aceita o Vaticano II. Ela o aceita, na medida em que é interpretado à luz da tradição.
O Missal de 1962 é uma transição para o Missal de 1969
A suposição de que a FSSPX seja favorável apenas à Missa Tridentina é discutível. Há nuances importantes em sua adesão ao Missal de 1962:
Confusão entre os poderes de ensino e governo
Existem três poderes papais fundamentais: o poder de ensinar, o poder de governo ou jurisdição e o poder das ordens.
Pelo poder de ensinar, o Papa deve dar aos católicos a boa doutrina para confirmá-los na Fé (cf. Lc 22,32). Pelo poder de governo ou poder de jurisdição – a Primazia Petrina ou Poder das Chaves – o Papa tem jurisdição sobre toda a Igreja (cf. Mt 16,18-19). Pelo poder das ordens, que é o poder de ministrar os Sacramentos, o Papa tem a mesma plenitude de ordens que qualquer outro Bispo. No entanto, na prática, seu poder de ordenação está intimamente ligado ao seu poder de jurisdição, ou seja, ninguém pode ser nomeado bispo ou ordenado sacerdote sem a sua permissão.
Ora, quando o Papa ensina uma doutrina errônea, ele pode ser contestado pelos católicos, desde que essa contestação seja respeitosa.
Nenhum católico pode legitimamente negar o poder jurisdicional do Papa, pois isso representaria uma ruptura na unidade da Igreja e a mergulharia no caos. Aqueles que, no passado, pretenderam consagrar bispos contra a vontade do Papa caíram em cisma e se colocaram fora da Igreja.
Houve momentos na História em que Papas sucessivos anularam o poder das ordens de Papas anteriores, como no caso do Papa Formoso, o que criou um caos completo em relação aos Sacramentos. Esses exemplos ensinaram à Igreja a não retornar a essa prática.
Hoje, os superiores da FSSPX pretendem ter o direito de consagrar bispos sem a permissão do Papa, com base em divergências doutrinárias sobre a interpretação do Concílio Vaticano II.
A TIA afirma: Esses dois tópicos são distintos. Um não justifica o outro. Quanto ao poder de ensinar, os superiores da FSSPX podem continuar a ter uma discussão doutrinária respeitosa com a Santa Sé sobre os temas que desejarem. Esta é a solução legítima para o caso deles.
No que diz respeito aos poderes de jurisdição e às ordens, até que se chegue a uma solução doutrinária, os superiores da FSSPX podem pedir ao Papa uma solução provisória para que os seguidores do seu movimento não sejam privados dos Sacramentos.
Mas não podem decidir por conta própria consagrar publicamente bispos contra a vontade de Roma. Trata-se de uma rebelião arrogante que exige a punição mais severa. Como essa punição é conhecida como excomunhão, os perpetradores desse crime colocam-se voluntariamente fora da Igreja.
A verdadeira resistência contra o Progressismo – o Vaticano II e suas consequências, a Nova Missa, a usurpação do governo da Igreja e assim por diante – deve ser feita dentro da Igreja, como fazemos na Tradition in Action.
Portanto, minha terceira conclusão é que o drama apresentado ao público pela FSSPX e pela mídia progressista é fundamentalmente falho, senão desonesto. Os dois temas – objeções doutrinárias e consagrações de bispos – são questões independentes e devem ser tratados separadamente. Há uma solução clara para cada um deles.
Minha conclusão geral: o jogo por trás do confronto entre Pe. Pagliarani versus Card. Fernández parece ser calculado para libertar a Igreja pós-conciliar de todos os seus oponentes tradicionalistas – que supostamente seguiriam a FSSPX rumo a uma nova Igreja episcopal – e para dar carta branca ao(s) Papa(s) progressista(s) para avançar ainda mais rapidamente em direção a uma Religião Universal por um caminho desimpedido dentro da Igreja.
Ele se reuniu no Vaticano com o Card. Victor Fernández, que propôs um diálogo sob a condição de que as consagrações fossem adiadas; caso contrário, o Vaticano declararia a FSSPX cismática. Pouco depois, Pe. Pagliarani divulgou uma declaração pública recusando o diálogo, argumentando que o Card. Fernández havia afirmado que o Concílio Vaticano II é um tema intocável. Assim, ele confirmou que as consagrações ainda estavam planejadas para a data anunciada.
Argentinos jogando rúgbi
O jogo está sendo apresentado, portanto, como um confronto entre esses dois lados.
- O Pe. Pagliarani representa a fidelidade à tradição de quase 2.000 anos da Igreja anterior ao Vaticano II; opõe-se ao Concílio e às suas consequências; e é o detentor da Missa Tridentina. As consagrações anunciadas de Bispos visam preservar esses tesouros.
- O Card. Fernández representa tanto a Igreja oficial quanto a linha mais rígida do Vaticano II – a linha do Papa Francisco – que não admite discussão sobre o texto de seus documentos originais. Ele só se mostra aberto a uma discussão teológica sobre os graus de adesão a um documento da Igreja. Se a FSSPX não atender à exigência do Card. Fernández, ele a declarará cismática.
Como muitos católicos tradicionalistas estão se posicionando diante desse dilema e sendo arrastados para a adesão à FSSPX e ao cisma, sinto-me na obrigação de dizer algo sobre isso.
Acredito que todo esse cenário está sendo inflado por pessoas mal-intencionadas de ambos os lados. Não se exige uma decisão tão drástica como essa: ou manter a ortodoxia e entrar no cisma, ou aceitar o progressismo e permanecer na Igreja. Abaixo, tentarei mostrar os erros desse falso dilema melodramático.
A FSSPX aceita o Vaticano II
O primeiro grande erro é imaginar que a FSSPX não aceita o Vaticano II. Ela o aceita, na medida em que é interpretado à luz da tradição.
- O Arceb. Marcel Lefebvre afirmou isso claramente em documentos públicos que podem ser encontrados aqui.
- O Bispo Bernard Fellay – antigo Superior Geral da Fraternidade e ainda membro do seu Conselho Geral – também afirmou aceitar 95% do Concílio Vaticano II, conforme relatado
aqui.
- O Card. Dario Castrillon Hoyos, que na época chefiava a Comissão Ecclesia Dei encarregada de lidar com os tradicionalistas, disse publicamente que os quatro Bispos da FSSPX concordaram com o Vaticano II, como publiquei e comentei aqui e aqui.
- Quando era diretor do seminário da FSSPX em Winona, o Bispo Richard Williamson, ao me visitar na sede da TIA, afirmou sua divergência conosco: “O problema é que os senhores querem destruir o Concílio, e nós [FSSPX] temos apenas alguns pontos contrários a ele.”
- Em sua carta de recusa ao diálogo, o Pe. Pagliarani argumenta que o acordo com Roma estava progredindo bem até que o Cardeal Müller fechou a porta com sua postura de "tudo ou nada" em relação ao Concílio. Ele culpa Fernández por adotar a mesma posição radical. A consequência óbvia é que o próprio Pe. Pagliarani se mostra aberto a aceitar o Vaticano II, desde que seja interpretado de maneira diferente.
Fariseus
O Missal de 1962 é uma transição para o Missal de 1969
A suposição de que a FSSPX seja favorável apenas à Missa Tridentina é discutível. Há nuances importantes em sua adesão ao Missal de 1962:
- A Fraternidade São Pio X (FSSPX) esconde o fato de que o Arcebispo Lefebvre celebrou a Missa do Novus Ordo por um tempo, de acordo com este testemunho do Pe. Guérard des Lauriers, que era professor no Seminário de Écone. O Pe. Des Lauriers era um teólogo renomado e respeitado da Universidade
Angelicum, em Roma, que contribuiu enormemente para os estudos que levaram à declaração do dogma da Assunção de Nossa Senhora em 1954. Seu testemunho tem enorme peso e não pode ser simplesmente descartado como boato.
- Aliás, foi o Pe. Lauriers quem escreveu a posteriormente famosa Intervenção Ottaviani contra a Missa de 1969. Ele pediu a vários prelados que a assinassem – incluindo Mons. Lefebvre, que se recusou a fazê-lo – mas apenas os Cardeais Alfredo Ottaviani e Antonio Bacci a subscreveram. A recusa de Lefebvre em assiná-la demonstra sua complacência com o
Novus Ordo.
- Quando pressionado por seus fiéis a celebrar apenas a missa tradicional, Mons. Lefebvre adotou o Missal de 1962, que representava uma transição entre a Missa Tridentina anterior a 1955 e o Novus Ordo. O Missal de 1962 foi obra de Mons. Annibale Bugnini, que também foi o idealizador da Missa de 1969. Mons. Lefebvre preferiu manter-se nesse meio-termo, ainda que comprometido.
- Para aqueles que desejam saber sobre as mudanças e subtrações suspeitas feitas no Missal de 1962, podem verificar
aqui,
aqui,
aqui,
aqui,
aqui,
aqui,
aqui,
aqui,
aqui e
aqui.
- Na verdade, essa posição “intermediária” do Missal de 1962 permitiu que a FSSPX, em diversos lugares, se tornasse mais aggiornati. É o caso, por exemplo, de suas capelas na Alemanha,
segundo Mons. Patrick Perez, ou de algumas de suas capelas em Nova York, Chicago e Los Angeles, nos EUA, onde o Missal de 1962 evoluiu para a “Missa de Diálogo.”
- Desde 1955, todas as reformas na liturgia católica foram feitas por Mons. Annibale Bugnini: incluem a reforma da Semana Santa de Pio XII de 1955/1956, a Constituição Sacrosanctum Concilium, do Vaticano II, o Missal de 1962, o Missal de 1969 e o Missal de 1970, que era a versão de 1969 com algumas "correções" não essenciais para evitar as acusações da Intervenção Ottaviani.
Saduceus
Confusão entre os poderes de ensino e governo
Existem três poderes papais fundamentais: o poder de ensinar, o poder de governo ou jurisdição e o poder das ordens.
Pelo poder de ensinar, o Papa deve dar aos católicos a boa doutrina para confirmá-los na Fé (cf. Lc 22,32). Pelo poder de governo ou poder de jurisdição – a Primazia Petrina ou Poder das Chaves – o Papa tem jurisdição sobre toda a Igreja (cf. Mt 16,18-19). Pelo poder das ordens, que é o poder de ministrar os Sacramentos, o Papa tem a mesma plenitude de ordens que qualquer outro Bispo. No entanto, na prática, seu poder de ordenação está intimamente ligado ao seu poder de jurisdição, ou seja, ninguém pode ser nomeado bispo ou ordenado sacerdote sem a sua permissão.
Ora, quando o Papa ensina uma doutrina errônea, ele pode ser contestado pelos católicos, desde que essa contestação seja respeitosa.
Será que a FSSPX se tornará oficialmente mais uma igreja episcopal separada de Roma?
Houve momentos na História em que Papas sucessivos anularam o poder das ordens de Papas anteriores, como no caso do Papa Formoso, o que criou um caos completo em relação aos Sacramentos. Esses exemplos ensinaram à Igreja a não retornar a essa prática.
Hoje, os superiores da FSSPX pretendem ter o direito de consagrar bispos sem a permissão do Papa, com base em divergências doutrinárias sobre a interpretação do Concílio Vaticano II.
A TIA afirma: Esses dois tópicos são distintos. Um não justifica o outro. Quanto ao poder de ensinar, os superiores da FSSPX podem continuar a ter uma discussão doutrinária respeitosa com a Santa Sé sobre os temas que desejarem. Esta é a solução legítima para o caso deles.
No que diz respeito aos poderes de jurisdição e às ordens, até que se chegue a uma solução doutrinária, os superiores da FSSPX podem pedir ao Papa uma solução provisória para que os seguidores do seu movimento não sejam privados dos Sacramentos.
Mas não podem decidir por conta própria consagrar publicamente bispos contra a vontade de Roma. Trata-se de uma rebelião arrogante que exige a punição mais severa. Como essa punição é conhecida como excomunhão, os perpetradores desse crime colocam-se voluntariamente fora da Igreja.
A verdadeira resistência contra o Progressismo – o Vaticano II e suas consequências, a Nova Missa, a usurpação do governo da Igreja e assim por diante – deve ser feita dentro da Igreja, como fazemos na Tradition in Action.
Portanto, minha terceira conclusão é que o drama apresentado ao público pela FSSPX e pela mídia progressista é fundamentalmente falho, senão desonesto. Os dois temas – objeções doutrinárias e consagrações de bispos – são questões independentes e devem ser tratados separadamente. Há uma solução clara para cada um deles.
Minha conclusão geral: o jogo por trás do confronto entre Pe. Pagliarani versus Card. Fernández parece ser calculado para libertar a Igreja pós-conciliar de todos os seus oponentes tradicionalistas – que supostamente seguiriam a FSSPX rumo a uma nova Igreja episcopal – e para dar carta branca ao(s) Papa(s) progressista(s) para avançar ainda mais rapidamente em direção a uma Religião Universal por um caminho desimpedido dentro da Igreja.




















