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Consequências do Vaticano II
O Concílio Vaticano II rompeu com o Magistério
Juan Valdivieso, Chile
Constantemente nos dizem que o Concílio Vaticano II seguiu as mesmas linhas dos concílios anteriores e que a única diferença foi o seu caráter mais pastoral. As mesmas pessoas nos dizem que este Concílio deve ser interpretado dentro da continuidade do Magistério. Na realidade, isso não é possível, pois aqueles que nos dizem para interpretá-lo dentro dessa “continuidade” acabam por aceitar todos os erros e desvios que surgiram desse mesmo Concílio, aceitos com tranquilidade pelo mundo inteiro. É, de fato, impossível fazê-lo simplesmente porque tal continuidade não existe.

O Concílio Vaticano II rompeu com a continuidade do Magistério da Igreja |
Um dos propósitos deste blog é denunciar tais artimanhas, e esta é a maior de todas – a mais descarada fraude religiosa que se possa imaginar. É com grande pesar que digo isso. O que me parece claro é que, para permanecermos fiéis à Fé Católica, devemos resistir e não permanecer como observadores passivos diante desta verdadeira paixão que a Igreja está sofrendo.
Não tentaremos fazer aqui uma análise doutrinária do Concílio, pois o tema é muito extenso. Citaremos abaixo apenas algumas figuras eclesiásticas importantes que confirmam que o Vaticano II rompeu com a tradição.
O conhecido teólogo progressista Hans Kûng afirma: “Comparado à época tridentina da Contrarreforma, o Concílio Vaticano II – em suas características fundamentais – representa uma virada de 180 graus. Uma nova Igreja nasceu após o Concílio Vaticano II.”
E outro famoso teólogo contemporâneo, Yves Congar, um dos "cérebros" do Concílio Vaticano II, admitiu que “não podemos negar que este texto [a Declaração Conciliar sobre a Liberdade Religiosa] diz coisas materialmente diferentes do Syllabus de 1864, incluindo quase o oposto das proposições 15, 77 e 79 daquele documento.”
Em outro trecho, Congar afirma que, no Vaticano II, “a Igreja teve sua pacífica Revolução de outubro,” referindo-se ao conhecido "Outubro Vermelho,” quando o comunismo destruiu o Império dos Czares na Rússia.
O Cardeal Leo Jozef Suenens, Arcebispo de Bruxelas, afirma que o Concílio “marca o fim tanto da época tridentina quanto da era do Concílio Vaticano I. É a Revolução Francesa na Igreja.”
Karl Rahner defende que o significado histórico-teológico do Concílio pressupõe uma ruptura com a tradição da Igreja tão grande que só se compara aos tempos da Igreja primitiva, quando, segundo ele, os discípulos de Cristo, com suas iniciativas, romperam a continuidade do passado com os novos ensinamentos de Jesus. Rahner afirma: “Hoje vivemos pela primeira vez na época de uma ruptura tão grande como a ocorrida na transição do judaico-cristianismo para o paganismo cristão.”
O renomado padre Marie-Dominique Chenu, que desempenhou um papel importante na redação de diversos textos conciliares, afirma que, na História da Igreja, o Concílio significa uma ruptura em sua continuidade de quase 1500 anos, pois, pôs fim à "era constantiniana" do catolicismo. Além disso, ele se vangloria de que justamente os pontos de sua teologia que haviam sido condenados pelo Papa Pio XII se tornaram os promovidos na década de 1960 pelas novas autoridades.

O Pe. Ratzinger e o Pe. Congar representaram o Progressismo no Vaticano II |
Quando o atual Bento XVI era Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou o seguinte sobre a Constituição conciliar Gaudium et spes e os decretos referentes à liberdade religiosa e ao ecumenismo: “Constituem uma revisão do Syllabus de Pio IX, uma espécie de contra-Syllabus.... na medida em que representam uma tentativa de reconciliar oficialmente a Igreja com o mundo tal como se tornou depois de 1789.”
Nesse contexto, o Cardeal Ratzinger continua, “a Igreja,” especialmente desde os Papas Pio IX e São Pio X, “adotou uma posição unilateral” em relação ao mundo moderno. Além disso, o Concílio e os eventos subsequentes “corrigiram” uma “relação obsoleta com o Estado.”
Creio ser importante esclarecer que há alguma imprecisão nessa expressão, visto que a Igreja não adotou o que ele chama de posição unilateral em relação ao mundo moderno apenas a partir da época de Pio IX. Na verdade, essa era uma posição coerente com a verdade revelada, que foi mantida e sustentada de forma sólida e ininterrupta por todos os Papas desde o início da Revolução Francesa, até Pio XII, inclusive.
Eu poderia continuar com muitas outras citações, mas creio que estas são suficientes para demonstrar eficazmente que o Vaticano II rompeu com o Magistério tradicional da Igreja e que este Concílio não seguiu a luz do Espírito Santo, visto que Deus não pode se contradizer.
Concluo com uma reflexão sobre o famoso texto do Terceiro Segredo, que a Virgem Santíssima revelou em Fátima, em 1917, e que, por sua expressa ordem, deveria ter sido divulgado ao mundo até, no máximo, 1960. Poderia o Segredo ter sido uma advertência sobre esse afastamento da tradição da Igreja, que causou tamanha devastação na Fé como consequência deste Concílio? E seria essa a razão pela qual ele ainda não foi revelado até os dias de hoje?
“Dada a atualidade do tema deste artigo (18 de setembro de 2008), TIA do Brasil resolveu republicá-lo - mesmo se alguns dados são antigos - para benefício de nossos leitores.”
Postado em 27 de maio de 2026

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