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Teologia da História
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Igualitarismo - IX

O Universo deve glorificar a Deus

Prof. Plinio Corrêa de Oliveira
Note: O Prof. Plinio ministrou esta série de aulas em 1957; hoje, em 2025, vemos como o igualitarismo em cada uma das áreas destacadas por ele aumentou e passou a dominar quase completamente. TIA
No artigo anterior, vimos os argumentos contra a desigualdade. No entanto, após apresentá-los, São Tomás demonstra que a desigualdade é um grande bem. A essência de seu argumento é que a desigualdade reflete a glória de Deus, que, por sua vez, reflete as perfeições de Deus melhor do que a igualdade.

Shroud turin

O Sudário de Turim reflete a glória intrínseca de Cristo

O universo existe para a maior glória de Deus. Ora, ele glorifica a Deus refletindo suas perfeições, e o faz melhor através da desigualdade. Portanto, é através da desigualdade que ele dá maior glória a Deus e alcança seu fim próprio.

Refletindo as perfeições de Deus

Primeiramente, vejamos com mais clareza o que significa refletir as perfeições de Deus.

O que exatamente é glória? Ainda não encontrei uma definição para essa palavra que me satisfaça completamente, embora se possa dizer que glória é o esplendor das qualidades supremas de alguém em si mesmo. Pode-se dizer que a glória tem dois aspectos: glória intrínseca e glória extrínseca.

Um exemplo característico de glória intrínseca que temos nesta terra é Nosso Senhor Jesus Cristo. Quem contempla o Santo Sudário de Turim e contempla a Face de Nosso Senhor percebe ali uma majestade que está n’Ele e que vem d’Ele mesmo; além disso, todos os insultos, mesquinharias, espancamentos e cusparadas não poderiam diminuir sua glória intrínseca.

O que seu semblante demonstra é uma grande afirmação de uma superioridade infinita, que é imanente a Ele e não depende absolutamente de nada nem de ninguém. Ele é superior; os outros ou o veem ou não, embora seja transparente. Sua glória é intrínseca.

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A Transfiguração de Cristo no Monte Tabor

Como descreveríamos a glória extrínseca? Poderíamos chamá-la de glória na forma como se manifesta, e não apenas em sua existência. Assim, a glória extrínseca de Nosso Senhor seria evidente no topo do Monte Tabor, quando Ele se manifestou aos três Apóstolos. Sua glória também se manifestou no Domingo de Ramos, quando toda a população de Jerusalém cantou sua glória. Em outras palavras, seu esplendor interior tornou-se extrínseco para os outros.

Assim como há uma glória extrínseca e intrínseca em Nosso Senhor, há uma glória intrínseca em Deus, que é sua infinita superioridade. Há também uma glória extrínseca no fato das criaturas lhe darem glória. É uma glória que vem de fora.

É evidente que Deus não precisa de glória extrínseca, a glória intrínseca lhe basta. Mas, como as criaturas existem, elas devem lhe dar glória. Esta é a razão de ser das criaturas. Por que esta é a razão da existência das criaturas?

São Tomás demonstra devidamente que Deus, ao criar o universo, só poderia criá-lo por amor a si mesmo, e que o fim de sua ação só poderia ser Ele mesmo. E a razão de ser de todas as criaturas é a sua glória. Portanto, a nossa razão de ser é a glória de Deus.

Por que a nossa semelhança com Deus glorifica a Deus? Porque quanto melhor uma obra, mais ela glorifica aquele que a fez. Por exemplo, alguém fabrica um relógio. Quanto melhor o relógio, maior o relojoeiro. Ora, Deus é a própria perfeição. Se as criaturas desejam ser muito boas, elas necessariamente devem imitar a Deus.

Ele é o Autor de todas as perfeições, Ele a própria perfeição, e tudo o que é muito bom deve imitar a Deus. Portanto, todas as criaturas, para glorificar a Deus sendo muito boas, devem imitá-Lo.

Resumo do argumento

O argumento, portanto, é este: a glória só é dada a Deus por meio da excelência; só se pode ser excelente imitando a Deus. Portanto, só glorificamos a Deus imitando-O. Do ponto de vista do homem, isso também pode ser visto de outra maneira. Todos nós estamos destinados a nos salvar, a glorificar a Deus por meio da nossa salvação.

Ora, todas as coisas que existem no universo existem para nos auxiliar na salvação. Portanto, quanto mais as coisas que nos rodeiam se assemelham a Deus, mais nos ajudarão na nossa salvação. Em todo caso, a semelhança do universo com Deus é uma condição para glorificá-Lo.

O exemplo da criação dos Anjo

Segundo São Tomás, começa pela análise da parte mais elevada do universo, que são os Anjos.

Eles não são apenas a parte mais elevada, mas também a mais numerosa. Segundo os comentaristas, quando o número no Céu estiver completo, será verificado que há muito mais anjos do que homens.

O número de anjos é verdadeiramente insondável. Não somos apenas quantitativamente muito inferiores aos anjos, mas também qualitativamente. A vasta maioria dos seres racionais criados por Deus são seres angelicais.

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Os Anjos, cada um superior ao homem, mas nove coros de diferentes níveis e propósitos

Estudar, portanto, a desigualdade no mundo dos Anjos, compreender por que ela existe ali, como e de que maneira essa desigualdade é uma perfeição, e qual a razão disso, é o ponto de partida para estudar a questão da igualdade e desigualdade entre os homens.

Ao tratar dos Anjos, São Tomás de Aquino dispunha de relativamente poucos textos do Apocalipse que ofereciam informações sobre eles. Ele fez um prodigioso esforço intelectual, utilizando os dados da sabedoria natural, para chegar a uma hipótese sobre os Anjos. E, tendo chegado a essa hipótese, buscou sua confirmação no Apocalipse.

Obtida essa confirmação, assegurou que o mundo angélico é de um certo modo. Foi, de fato, um notável esforço de inteligência. Alguns comentadores sérios de São Tomás afirmam que o Tratado sobre os Anjos é um dos tratados mais notáveis do Doutor Angélico.

Para compreender plenamente o raciocínio de São Tomás, é necessário entender o problema que ele propõe. O ponto de partida é Deus, que paira sobre toda a Criação, sua obra, como Ele constituiu uma Criação que é um cosmos ordenado e não um caos. Ou seja, Ele fez uma Criação na qual as várias partes estão ordenadas em relação umas às outras, em vez de serem estranhas ou heterogêneas entre si.

Além disso, em seu plano, Ele estabeleceu que governaria alguns seres por meio de outros seres, de modo que os mais elevados recebessem a plenitude da luz que Ele desejava comunicar às criaturas, e outros seres seriam governados pelos mais elevados, e assim por diante, em vários níveis.

Então, São Tomás tenta mostrar como isso acontece, o que, na verdade, constitui uma verdadeira teoria da obra. Isto é, ele descreve os diferentes estágios da ação, quantas partes compõem a ação e o que cada uma dessas partes significa. Em seguida, ele mostra como cada uma dessas partes corresponde a uma categoria de Anjos.

Portanto, entendemos que no Céu há uma verdadeira organização, uma organização com racionalização e distribuição, porque há uma verdadeira obra acontecendo no Céu. Na paz do Céu, há atividade constante.

Essa ação dos Anjos representa o sentido mais absoluto, mais intrínseco e mais essencial da palavra ação, sendo que a palavra "ação" indica qual é a direção e quais são seus estágios naturais. Ele então passa a identificar o que são os coros de Anjos e como eles se relacionam com esses estágios naturais da ação.

Toda essa ação pressupõe, evidentemente, uma grande desigualdade, que continuaremos a estudar no próximo artigo.

Continua

Postado em 20 de abril de 2026

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